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Caros colegas e compatriotas:
Nossa quarta Reunião Ordinária da Comissão Política terminou. Depois de acalorados debates que levaram três dias, tomamos decisões importantes que terão, certamente, impacto na vida do nosso partido e na vida do nosso País.
O meu pronunciamento vai constar de SETE MENSAGENS SOBRE AS ELEIÇÕES:
Os grandes líderes, os grandes partidos, que escreveram sua marca na história da civilização e das nações, por serem protagonistas de grandes mudanças e grandes avanços, são aqueles que souberam, no momento certo, interpretar a vontade do seu povo e do seu país e antever as tendências do futuro.
Em momentos como esse, ocorrem mudanças espontâneas no sentimento das pessoas . Mudanças que não são causadas nem por partidos, nem por candidactos, e que, assim como não têm o poder de causá-las, também não têm o poder de contê-las, e menos ainda interrompê-las, sejam eles beneficiados ou prejudicados por elas.
São mudanças que acontecem na alma de um povo , e que, silenciosa e pacificamente disseminam, de uma maneira incontrolável, uma nova idéia, um novo sentimento, um novo objectivo.
Essas transformações, quando vêm à tona, surpreendem os desatentos, mas não aqueles que tiveram a lucidez de perceber a verdadeira dinâmica do processo político, no momento adequado.
Angola, meus companheiros, vive um desses momentos raros na história de uma nação.
Conquistamos o direito à cidadania. O nosso país teve êxito em instituir o estado democrático de direito. Definimos como prioridade nacional, e o país a adoptou, a normalização das instituições do estado. O país iniciou uma prática democrática incipiente e claudicante, que, apesar de imperfeita, constitui um avanço a ser respeitado e protegido, visando a instauração da democracia plena.
A sociedade civil passou a fortalecer-se e ganhar cada vez mais autonomia; uma nova geração de angolanos saída das universidades no pais e no estrangeiro vai se afirmando com consciência crítica nos espaços políticos e científicos. Os nossos jornalistas lutam, a cada dia, por mais espaços e liberdade.
Assim, por trás das aparências de um jogo político ainda profundamente moldado por uma democracia incompleta e tutelada, existe uma nova realidade que está crescendo dentro dela, lançando raízes, ganhando força, e que, garanto-vos, já não poderá ser contida:
Esta, meus amigos, é a primeira mensagem que vos quero transmitir, e por vosso intermédio, a todos os nossos maninhos e a todos os nossos irmãos angolanos de todas as raças, etnias, estratos sociais e convicções religiosas e políticas.
ANGOLA QUER A MUDANÇA, ANGOLA SE PREPARA PARA A MUDANÇA, ANGOLA JÁ ESTÁ CONSTRUINDO AS BASES PARA A MUDANÇA.
O povo não aceita que, mesmo depois de trinta anos de poder, este regime não seja capaz de produzir contas nacionais credíveis. Angola não tem um sistema credível de contabilidade nacional. A receita nacional não é contabilizada de forma transparente e fidedigna.
O governo contrai dívidas sob hipoteca em nome do povo, para o povo pagar, mas sem a autorização do povo, representado na Assembleia Nacional. O povo já não aceita esta situação. O povo quer a mudança.
- E a mudança, meus irmãos, é a eleição democrática: limpa, imparcial e autêntica;
- A mudança, maninhos, não poderá ser trazida pelo partido da continuidade, que há 30 anos está no poder;
- O povo angolano quer a mudança, e sabe bem quem a pode trazer.
Em cada canto desse país, respira-se um ar de esperança, que anuncia a mudança que está por vir. Este desejo de mudança, profundamente sentido, e em constante crescimento, está disperso por todos os segmentos em que se divide a sociedade angolana, tendo adquirido tal grau de consistência, que não mais se subordina a ideologias, doutrinas, preferências partidárias ou lideranças políticas.
Não tenham dúvidas, o desejo de mudança paira em todos os corações, em todos os lares, em todos os lugares, e de maneira silenciosa, até mesmo nas bases do partido do poder .
Todos, em todos os lugares, já se aperceberam que o regime falhou na boa governação de Angola. Todos sentem que este regime, em trinta anos, foi incapaz de fazer um diagnóstico sério da situação real do país. Os desequilíbrios e injustiças são vários e continuam a limitar o alcance de objectivos sociais programados, como a diminuição do desemprego estrutural, a redução da pobreza e o fortalecimento do empresariado nacional.
Por outro lado, os desvios do erário público conhereceram esquemas mais sofisticados e os actos de corrupção que se tornaram do conhecimento público incluiram as altas instâncias do poder.
E é por isso que este mesmo povo “já decidiu” que quer eleições para a Assembléia Nacional e para a Presidência da República no ano de 2006.
No que toca à data das eleições, a indefinição que existe no meio político, não existe nas ruas.
É verdade que a data efectiva da eleição, todos sabemos, será fixada por S. Excia. O Sr. Presidente da República.
Mas quem como eu tem estado em contacto direto com o povo angolano, em Luanda e nas províncias, sabe que Angola já decidiu: Angola quer as eleições em 2006. Angola respira as eleições. Angola espera pelas eleições, e já se mobiliza, para escolher os seus governantes pelo voto directo e secreto, no ano que vem.
O povo “marcou” as eleições para 2006, porque esse é o caminho – o caminho democrático - que construirá a mudança que queremos, dentro da paz, do respeito aos direitos e da legalidade.
O que se espera é que as lideranças políticas que tiveram a sabedoria de conduzir o país ao porto seguro da paz, tenham a grandeza de conduzi-lo agora ao porto seguro da democracia, que é o regime político da paz.
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